“Vaidade”, por Valdete Braga

20/04/2017 às 13:59 por Atualizado dia 20/04/2017 às 14:13

Na medida certa, pode ser muito positivo. Quando nos envaidecemos por algo que fazemos, pelo que somos, ou mesmo por algum elogio recebido, podemos fazer disso motivo de auto-estima e crescimento. A vaidade, por si só, não é nociva. O problema é quando a pessoa extrapola na vaidade, passando a se achar melhor do que todo mundo. Exemplos comuns encontramos no meio artístico. Não é raro algum ator, atriz, cantor, cantora, destacar-se em algum trabalho e ficar insuportável depois. Nem todos estão preparados para lidar com o sucesso, principalmente quando ele chega muito rápido.

Mas não é somente entre os famosos que isto acontece. É mais comum do que parece. Pode acontecer com um amigo, um vizinho, um parente… o ser humano é tão imprevisível, que um degrauzinho subido pode virar a cabeça de alguns. A pessoa se sobressai no trabalho, na sociedade, ou por um lance de sorte, não importa, e ao invés de agradecer a Deus, passa a se achar superior.  Começa a olhar os outros de cima, a viver em função dos quinze minutos de fama e não percebe que está abrindo para si mesma um buraco cada vez mais fundo.

O que é conseguido com facilidade, é perdido com a mesma facilidade. Aquele que sobe pisando nas pessoas, não imagina que pode se encontrar com estas mesmas pessoas, quando estiver descendo. E fatalmente encontra. O tamanho da queda é proporcional ao da altura.

Vaidade, em si, não é defeito. Mas ela não pode engolir o ser humano. É preciso muito cuidado para não confundirmos amor próprio com orgulho exagerado. Todo excesso acaba mal. É muito bom ser amado, reconhecido, apreciado… todos nós buscamos isso na vida. Mas é essencial possuirmos a dosagem certa de auto-estima e humildade; e não me refiro à visão errônea de humildade que acha que ser humilde significa andar de cabeça baixa ou ter medo de encarar o outro. De jeito nenhum. Refiro-me à humildade de saber valorizar o outro, de não se achar acima do bem e do mal e de reconhecer o erro, quando errar. Refiro-me à humildade que engrandece o Ser.

Nem todos sabem lidar com isto. Um golpe de sorte pode colocar qualquer um no topo da pirâmide. Mas para permanecer lá é preciso maturidade, competência, segurança e a tal humildade, na verdadeira acepção da palavra. Com estes quatro ingredientes, trabalho e fé em Deus, qualquer pessoa se garante, mas sem eles, a queda é inevitável.


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