Tecnologia a favor da comunidade ouro-pretana: aplicativos do governo e município alertam sobre desastres naturais

17/01/2018 às 15:54 por Atualizado dia 17/01/2018 às 15:54

Foto-Grande acidente na Rua Padre Rolim, em 2012, que afetou a rodoviária de Ouro Preto, matando duas pessoas
Crédito-Tino Ansaloni

Um serviço de alerta por mensagens de celular, desenvolvido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em parceria com os órgãos de Defesa Civil e as operadoras de telefonia móvel, foi lançado na segunda-feira (15) para a população dos estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás. A tecnologia permite que as pessoas cadastradas gratuitamente recebam mensagens de alerta de desastres naturais por SMS (Serviço de Mensagens Curtas).

Em Ouro Preto (MG), o geólogo da Defesa Civil, Charles Romazamu Murta, em reunião ordinária na Câmara Municipal, no dia 14 de dezembro, revelou que um aplicativo do órgão, elaborado pela equipe STI (Seção de Tecnologia da Informação), em parceria com a COMPDEC (Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil), está em fase de elaboração e deve ser disponibilizado em breve.

Mensagens de alerta

A previsão da Anatel é que até março de 2018, todos os brasileiros cadastrados recebam mensagens de alerta sobre tempestades, vendavais e outros fenômenos meteorológicos. Ainda de acordo com a agência, em nota publicada no dia 12 de janeiro, “o serviço não tem nenhum custo para o cidadão e nem para o governo. Cerca de 20 países contam com serviços semelhantes, como Canadá, Chile, Bélgica, Filipinas e Japão”.

Ao todo, 1.942.528 brasileiros já utilizam o serviço. Já foram enviados 1.775 alertas e  enviadas 24.851.355 mensagens de texto nos estados participantes (Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo e  Rio Grande do Sul).

Como aderir

Uma mensagem de texto deverá ser enviada aos celulares da população convocando os moradores a participarem do programa. “Defesa Civil Nacional informa: novo serviço de envio de SMS gratuito com alertas de área de riscos. Para se cadastrar responda para 40199 com CEP de interesse”, será o texto da mensagem.

Ao fim do cadastro, o usuário será informado que o celular está apto a receber alertas de  inundações, alagamentos, temporais, perigo de deslizamentos de terra, entre outros, e recomendações da Defesa Civil. Se o usuário desejar, é possível cancelar o recebimento dos alertas por mensagem de celular.

Os alertas são enviados pelo Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) e pelas Defesas Civis dos estados. Também será realizada campanha informativa nos meios de comunicação.

 O projeto

O projeto teve início em fevereiro do ano passado com cerca de 500 mil moradores de  20 municípios de Santa Catarina. Outras cinco cidades do Paraná, com cerca de 100 mil moradores, passaram a contar com o sistema em junho. Desde outubro, todos os moradores dos estados do Paraná e de Santa Catarina já podem cadastrar as linhas móveis para receber mensagens de alerta de desastres naturais enviadas por SMS para celulares.

O serviço foi implantado no Estado São Paulo no dia 16 de novembro. Em 18 de dezembro o serviço começou a ser oferecido no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Em 19 de fevereiro, será a vez do Distrito Federal, Mato Grosso e Tocantins.  Os demais estados – Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão, Pará, Amapá, Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima –  serão inseridos no sistema em 19 de março.

Aplicativo da Defesa Civil de Ouro Preto

Charles Romazamu Murta, Geólogo da Defesa Civil de Ouro Preto, participou da 86ª Reunião Ordinária da Câmara Municipal no dia 14 de dezembro. Além de fazer um balanço das ações preventivas, de socorro, assistenciais e reconstrutivas destinadas a evitar ou minimizar os desastres naturais no município, o geólogo afirmou que um aplicativo do órgão, elaborado pela equipe STI, em parceria com a COMPDEC, está em fase de elaboração.

“O aplicativo, que já se encontra em fase de testes, levará informação direta, em tempo real à população de Ouro Preto. Embora a sua conclusão demande um determinado tempo, nós já estamos em estado avançado”.

Ainda de acordo com Murta, o caráter inédito da tecnologia, voltada especialmente à população, será capaz de levar informações pertinentes às pessoas que poderão desenvolver o senso de auto-proteção, além de noções de como agir em casos de desastres naturais. “A defesa civil não é constituída apenas de agentes de defesa civil, mas por toda população”.

O geólogo apresentou o layout do aplicativo e seu conteúdo. Dentre inúmeras informações, como alertas direcionados a setores específicos da cidade (bairros e distritos) que se encontram sob risco de desastres naturais, a ferramenta também mostrará dados a respeito das leituras de chuva ocorridas no município e coletadas por meio de pluviômetros automáticos.

Recentemente, seis pluviômetros automáticos, aparelho de meteorologia usado para recolher e medir líquidos ou sólidos (chuva, neve, granizo) precipitados durante um determinado tempo e local, foram instalados no município pelo governo federal. “A ideia é que a população tenha acesso à informação do volume de chuva no município e assim possa se precaver ainda mais”, revelou.

A aba lateral do aplicativo denominada “Área do Cidadão” será utilizada de forma interativa pelos cidadãos. Através dela, os moradores poderão fotografar possíveis riscos e enviar as fotografias à Defesa Civil que irá analisar o caso e tomar as medidas cabíveis.

Questionado sobre a data em que o aplicativo estará disponível aos moradores, Charles Murta afirmou que a equipe técnica está trabalhando para que, em breve, todos possam ter acesso à ferramenta. “Estamos trabalhando para que isso venha o mais rápido possível para a população, devido seu benefício eminente”, finalizou.

Desastres Naturais no Brasil

Além da perda de vidas humanas, os prejuízos causados por desastres naturais no Brasil custaram pelo menos R$ 182,8 bilhões – uma média de R$ 800 milhões por mês –, entre 1995 e 2014. Os números fazem parte do mais completo mapeamento da quantidade de eventos meteorológicos, como secas, estiagens, inundações e enxurradas, que atingiram o País em 20 anos e o impacto financeiro que tiveram. O mapeamento foi realizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped) da Universidade Federal de Santa Catarina, com apoio do Banco Mundial.

 


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