Retorno da Samarco não acontece por falta de interesse da Vale e BHP, afirma prefeito de Mariana-MG

13/06/2018 às 22:09 por Atualizado dia 15/06/2018 às 13:21

Foto-Entrevista coletiva com o prefeito de Mariana, Duarte Júnior
Credito-João Paulo Teluca Silva

O prefeito de Mariana (MG) concedeu uma entrevista coletiva na noite desta quarta-feira (13), às 19h, em seu gabinete.  Duarte Júnior afirmou que o retorno da Samarco não acontece por falta de interesse das empresas Vale e BHP. A mineradora estava com suas atividades paradas desde que suas licenças ambientais foram suspensas, em decorrência da tragédia de novembro de 2015, quando rompeu-se a Barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues. De acordo com o prefeito, a Samarco já possui todas as licenças para iniciar a preparação da cava da mina de Alegria Sul, mas não o faz por especulação de mercado da Vale.

“Não podemos permitir que haja mais prejuízos para nosso povo. Essa situação tem me incomodado muito. Fizemos todas as audiências e demostramos o interesse da extração continuar de forma sustentável e respeitando o meio ambiente”, pontuou o prefeito.

No episódio, considerado a maior tragédia ambiental do país, foram liberados no meio ambiente mais de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Além de devastar a vegetação nativa, a lama poluiu a Bacia do Rio Doce, destruiu comunidades e provocou a morte de 19 pessoas.

A volta da extração do minério em Mariana, de forma responsável, é um tema em pauta desde o rompimento da barragem de Fundão. Além dos prejuízos socioambientais, a queda da arrecadação após a tragédia afetou diretamente a administração municipal e a morosidade para que a prática volte foi o que levou o prefeito a convocar a coletiva de imprensa e pontuar os prejuízos, além da aparente falta de vontade, por parte das empresas Vale e BHP.

Foto-Entrevista coletiva com o prefeito de Mariana, Duarte Júnior. Credito-João Paulo Teluca Silva

Para o prefeito Duarte Júnior, o não retorno das atividades parece ser puro interesse financeiro por parte das empresas detentoras das ações da Samarco. As informações iniciais era que o retorno não acontecia pela não permissão do poder judiciário, do que discorda o prefeito. “O que parece é que a Vale vem tentando desvalorizar a Samarco para comprar sua parte junto a BHP. Lembro-me da entrevista do presidente da empresa da Vale e ele falava em responsabilidade social, e isso não acontece e parece que nem vai acontecer. Não há uma autonomia, pois há meses a Samarco possui a licença para iniciar a reparação da cava de Alegria sul. Isso é um absurdo”, afirmou Duarte.

Duarte Júnior ainda informou que irá procurar apoio como presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, bem como a Câmara Federal, Senado e informar as bolsas de valores de São Paulo e Nova York que a BHP e a Vale têm os interesses econômicos acima dos interesses sociais.

“Não vou permitir que nos usem como fizeram, porque nosso povo não pode mais sofrer com essa situação. Não estamos falando de retorno, mas sim da possibilidade da cava receber esses rejeitos. O que acontece é que a Vale reativou a mina de São Luís do Maranhão, que hoje supre todo o mercado interno e externo. É cômodo a empresa continuar com essa mina e, no nosso entendimento, o retorno da Samarco aumentaria a demanda de produtos, fazendo com que o preço caia, o que não é viável para a Vale”, pontuou.

Solicitação de abertura de procedimento administrativo

Outro ponto abordado pelo prefeito Duarte é a forma como a detenção do minério é entregue as empresas. Citando os trâmites da venda do pré-sal, Duarte pontuou que o Governo Federal arrecadou mais de R$ 2 bilhões com o processo em forma de licitação, o que não acontece com a extração minerária.

“A riqueza do nosso minério é incalculável. Se houvesse uma licitação a nossa arrecadação seria extraordinária. Simplesmente repassam esse poder as empresas privadas”, finalizou.

O prefeito informou ainda que atitudes importantes serão tomadas para mudar o quadro atual, como o envio de um documento ao ministro de Minas e Energia para que seja aberto um procedimento administrativo para análise do artigo 65 do Código da Mineração, que está sendo desrespeitado.

 


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