Prosa na Janela: “Eu de amor”, por Roberto dos Santos

01/06/2018 às 14:50 por Atualizado dia 01/06/2018 às 14:50

Roberto Santos, 47 anos, nascido em Dores de Guanhães, chegou ao Distrito Ouro-pretano de Antonio Pereira em 1979. É porteiro na Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP e tem uma sensibilidade peculiar na apresentação de seus textos. É casado com Márcia, que é a aguerrida diretora da Escola Municipal Alfredo Baeta e têm o filho Antônio, de 13 anos.

Eu descobri o amor, quando uma simples flor, tirou toda a minha dor, uma dor que era de amor. Nela eu vi teu rosto lindo, fui sentindo a dor sumindo. Tua morenice me encantou, meu coração pulou, a dor que eu sentia sumia, e o que eu mais queria era aquela flor transformar.

Transforma-la em você, e tê-la só para mim, flor do meu jardim, desfrutar de sua beleza e depois ter a certeza de que não teria fim.

Era uma rosa bonita que não sabia que aflita, estava minha alma e o coração.

A minha rosa morena, não é grande nem pequena, tem o tamanho do amor, tem cheiro, tem jeito, tem cor. É real não é miragem, nela faço uma viagem e vou longe com meu amor.

Nas calçadas de Ouro preto, ela parece flutuar, enquanto se rende as riquezas, eu fico com sua beleza, e a graça de seu andar.

Não há vejo todo dia, pois Ouro Preto esconde aquela que rouba meu pensamento, e fico a cada momento tentando encontrar minha flor que a cidade refugia de noite e dia, e que nas esquinas frias meus pés ligeiros e fortes, tentam contar com a sorte de uma vez te encontrar.

As casas centenárias enquanto vou passando, minha flor vai ocultando, não sei onde ela está se aqui ou em outro lugar, a única coisa que sinto é um desejo, não minto, de nunca deixar de amar.

Às vezes queria ser sol, chuva, vento ou luar, encontrar uma fresta na janela e em seu quarto entrar. Como sol chegar de manhã e suavemente com todo afã, velar o seu despertar. Como chuva cair devagar, o seu telhado molhar, produzir acordes para ouvir, e depois ser canção de ninar. Quando luar, ser o fio de claridade a toca-la e a inspiração para amar.

E se eu não te encontrar não ousarei meus passos findar, a certeza que me impulsiona não me deixará ir à lona, tenho que continuar.

Eu preciso vê-la agora, meu coração sem demora deseja te encontrar. Seu rosto é a melhor pintura, seu corpo beleza pura, que não me canso de contemplar.

Acordei de madrugada e do sonho despertei, desejei dormir de novo e outra vez acordei, queria sonhar de novo, mas ao sonho não voltei, continuei na saudade e a esperança renovei.

De manhã ao despertar a flor do jardim estava lá, no lugar em que sonhei já o amor da minha vida no sonho não encontrei, mas sei que está tão pertinho o vento me traz seu cheiro, ele sabe onde ela mora e sempre a vê primeiro.

Ouvir a sua voz tão sonora, num grito o coração chora sua imagem para o tempo, e eu por um breve momento te amo sem esperar.

E como fim da procura, quem sabe um dia ela vem, se instala dentro de mim,

e com a leveza dos querubins transbordará meu coração.

E com todo o meu amor, pedirei a Deus num clamor, que tudo se encerre ali. Eternizarei o momento e sem choro nem lamento seremos apenas um.


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