“Os Invisíveis”, por Valdete Braga

06/11/2017 às 12:37 por Atualizado dia 06/11/2017 às 12:37

Há momentos em que tudo parece perdido. Por mais fortes que sejamos, algumas dores da vida são difíceis de suportar. O pior tipo de solidão é a que vem do abandono, principalmente quando vem de pessoas queridas, para quem, supostamente, éramos queridos também. Neste caso, a dor vem duplicada, porque a ela se soma uma enorme decepção. Há quem passe por isso na vida, há quem não passe. Depende do caminho espiritual de cada um.

Para quem passa, dói demais. É terrível viver a ilusão de ser amado e descobrir, seja por que caminho for, que era “obrigação” e não amor. Que era costume, necessidade, acomodação… não importa o nome, só não era amor. Infelizmente, não é incomum: inventam-se as mais variadas desculpas: falta de tempo, correria do dia a dia, compromissos inadiáveis… palavras inventadas para amenizar a culpa pelo abandono de quem, muitas vezes, esteve presente quando se precisou.  Aí, quando não se precisa mais, quando os problemas são resolvidos ou as asas quebradas são reconstruídas, joga-se a pessoa fora, como se fosse um objeto qualquer, e, juntos, vão-se os infindáveis “eu te amo”, ditos um dia.

Triste verdade, dolorosa e humanamente triste. Mas como Deus não é humano, é exatamente neste momento desesperador que precisamos enxergar o invisível. É neste momento que precisamos olhar na direção certa e ver que Eles, os invisíveis, estão ali, do nosso lado, onde sempre estiveram, esperando apenas que olhássemos para Eles. Estes não nos abandonam nunca. Aconselham-nos, secam nossas lágrimas, oferecem o ombro amigo. Para eles não existe interesse ou troca de favores. O sentimento é genuíno, nos amam incondicionalmente. Claro que isto não significa apoiar nossos erros ou nos acolher no mal. Jamais. Amam-nos, mas são justos. Devemos também fazer a nossa parte, como deve ser.

Quando a dor da solidão imposta pelos que nos cercam se tornar insuportável, não podemos nos esquecer dos que sempre estiveram conosco, cujo Amor é tão maior e tão pleno que não nos deixa sucumbir. Neste momento, devemos fechar os olhos e, verdadeiramente, enxergar. Aceitar o abraço reconfortante, colocar a cabeça no ombro oferecido, e agradecer. Assim, abraçados e agradecidos pelo verdadeiro Amor, a dor passa, a solidão vai embora e a alma se aquece de luz.


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