“Não se brinca com coisa séria” com Valdete Braga

09/02/2018 às 19:54 por Atualizado dia 09/02/2018 às 20:00

Estava em casa, trabalhando, quando recebi, pela internet, a informação do ataque das abelhas, acontecido na Rua do Paraná. A minha irmã havia saído da minha casa há menos de dez minutos, dizendo que iria passar no centro, para fazer compras.

Por tratar-se de site idôneo que deu a informação, a minha primeira reação foi ligar para ela e avisar que evitasse passar na região do ocorrido. Abelhas alvoroçadas saem destrambelhadamente, e invadiram parte da Rua Direita e Rua São José, onde ela iria. Em seguida, avisei a todos os conhecidos. (Como é bom quando a internet, tão mal usada por alguns, pode ser útil por outros!)

O que eu não podia imaginar, e somente fiquei sabendo à noite, é que, enquanto eu, e com certeza mais um monte de gente, tinha este tipo de atitude, no local do acontecimento outros filmavam as pessoas atacadas pelas abelhas correndo desesperadas, enquanto riam, debochavam e faziam piadas sobre elas.

Quando me contaram, não quis acreditar. Aí me mandaram o vídeo, e era exatamente isto. Como é que pode? Rapazes, de uma sacada, davam risada, gritavam “corre Maria” e filmavam. Pior: jogaram o vídeo na internet, como se fosse uma grande piada. Rapidamente viralizou, encontrei em páginas de vários amigos, e o que consola um pouco neste triste episódio é a indignação das pessoas. Pelo menos nos comentários que eu vi entre os compartilhamentos, todos se solidarizavam com as pessoas atacadas e se indignavam com aqueles que, em lugar de tentar ajudar, achavam tudo uma grande piada e davam risada. Isto mostra que ainda há luz no fim do túnel, nesta balbúrdia virtual.

Não é preciso ser nenhum gênio para saber que pessoas alérgicas podem morrer devido a picada de abelhas. O filme “Meu primeiro amor”, ainda que ficção, mostra isto com maestria. Será que aqueles que achavam graça no desespero de quem corria procurando abrigo não sabem disso? Que Deus nos livre, mas se um número grande de abelhas atacasse uma pessoa alérgica, ela viria a óbito. A “Maria” gritada, filmada e colocada em redes sociais, poderia ser alérgica. E mesmo não sendo, é muita estupidez rir de uma coisa tão séria. Quando alguns usam a expressão “a internet deu voz aos imbecis” é a gente assim que estão se referindo. Quem usa a internet com parcimônia, e são muitos, não precisa se sentir ofendido, porque eles não entram nesta definição. Mas quando deparamos com um vídeo desses, temos que concordar que, para alguns, a frase se encaixa muito bem.

O uso comedido e sério das redes sociais é um grande avanço. Inclusive foi através dela que sites, jornais e pessoas anônimas sérios avisaram o que estava acontecendo, e impediram muitas pessoas de passarem no local. Através da internet vidas podem ter sido salvas. Exagero? Não! Quem garante que uma pessoa alérgica estaria pronta para passar no local e não foi, devido a um alerta vindo pela internet? É perfeitamente possível.

Aí, enquanto muitos se preocupam em ajudar, outros debocham, dão risada, e ainda filmam. Vemos muito isso. Um celular nas mãos pode ajudar em muitos casos; em outros, desnudam o que há de pior nas pessoas. Não se brinca com o desespero de ninguém. Alguns, além de brincar, ainda fazem questão de mostrar para todo mundo a sua insensatez. Muito triste.


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