Na Coluna Templo Alvinegro – “Quem vai colocar ordem na casa?”, por Samuel Senra

“Parece que essa turma se esqueceu do significado por trás da camisa Alvinegra. Do quanto somos guiados pelo sentimento de raça; na hora de dividir uma bola, de dar o gás no último instante, de brigar dentro de campo pelos milhões e milhões de apaixonados que estão do lado de fora sem medir esforços como meu pai”.

02/08/2017 às 10:51 por Atualizado dia 02/08/2017 às 10:51

Samuel Senra é Graduando em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto

Eu já vi meu pai muito puto por causa do Galo. E não foi só uma, nem duas ou três vezes. Isso nos anos 90, eu era criança. Meu pai tinha uma padaria, ele discutia com todos os clientes cruzeirenses, discutia no melhor sentido da palavra. O Atlético já era sagrado para a minha família enquanto muitos dos jogadores de hoje mal tinham saído do berço.

Parece que essa turma se esqueceu do significado por trás da camisa Alvinegra. Do quanto somos guiados pelo sentimento de raça; na hora de dividir uma bola, de dar o gás no último instante, de brigar dentro de campo pelos milhões e milhões de apaixonados que estão do lado de fora sem medir esforços como meu pai.

Ele já se foi. Não viu a Libertadores, não viu a Recopa, não viu a Copa do Brasil. Mas enquanto estava vivo apoiou incondicionalmente das arquibancadas, levando-me junto dele e me passando essa tradição.

Futebol não resolve os problemas sociais do Brasil. Mas nós somos somente Atleticanos, não damos a mínima para futebol. Como o religioso fervoroso vai à igreja nós vamos ao estádio, vamos cegamente ao estádio, para apoiar. A paixão quanto mais intensa mais cega. E nós apoiamos o time. Nós sempre acreditamos.

Os últimos anos fizeram valer esse apoio, torcida e time jogando juntos. Jogadores na mesma sintonia da Massa apaixonada. Jogadores apaixonados pelo Galo, que não mediam esforços para nos representar em campo, eles vibravam juntos.

Ainda restam alguns, mas muitos só estão de passagem. Fazendo o pé de meia, andando em campo de um lado para o outro, despreocupados, confortáveis. É nessa hora que dá uma saudade do presidente Kalil. Mas é nessa hora também que me dá mais saudade ainda do meu velho. Ele estaria indignado com essa turma de desalmados e sem vergonhas.


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