Música e Gastronomia em evento que veio para ficar, em Ouro Preto-MG.

A primeira edição do OURO PRETO BLUES acontece em junho, no dia 17, durante o feriado prolongado de Corpus Christi, no sábado, das 14h às 22h com muita música e Food Trucks variados.

19/05/2017 às 21:00 por Atualizado dia 19/05/2017 às 22:19

Foto-Alexandre Araújo, pioneiro do gênero em Minas, na programação do Ouro Preto Blues
Crédito-Divulgação

O Jornal Voz Ativa conversou com um dos criadores do evento, o escritor e jornalista Victor Stutz, que mora em Ouro Preto, é autor de livros pela Editora Saraiva e professor de Artes do Colégio Sinapse.

JORNAL VOZ ATIVA – Como surgiu a ideia?

VICTOR – Então, tudo começou de forma bem espontânea. Quis o destino que eu reencontrasse, depois de décadas, alguns bons amigos das antigas, o Alexandre Araújo e o Rodrigo Viotti. Alexandre é o pioneiro do Blues em Minas Gerais, sempre se dedicou de corpo e alma à música. Nos anos setenta, éramos vizinhos de muro na rua Gonçalves Dias, na praça ABC, em Belo Horizonte. Ele até tentou me dar umas aulas de violão mas, infelizmente, eu não levava jeito mesmo… Já o Rodrigo é um empreendedor super criativo, foi um dos primeiros a entrar para o ramo dos food trucks em Minas. Criou uma adega itinerante e, com alguns parceiros, montou o Sobre Rodas Food Park Itinerante, com o que há de melhor e mais requintado nesse campo. Rodrigo e eu fomos colegas de colégio, fizemos o primário numa antiga escola que já nem existe mais, o Instituto Alcinda Fernandes, na rua Califórnia, no Sion.

 

JORNAL VOZ ATIVA – O Alexandre Araújo é irmão de outro músico consagrado, Marco Antônio Araújo, que nos deixou bem cedo, não é?

VICTOR – Exato. Marco era um cara talentosíssimo, e um grande amigo também. Sua partida mexeu com todos nós lá em casa, principalmente, com minha mãe. Eles eram muito amigos e chegaram até a fazer uma parceria, um audiovisual que rendeu o primeiro lugar em um salão, com música do Marco, poema de minha mãe e fotos de Ouro Preto, do José Luiz Pederneiras. Todas em preto e branco. Sempre vi o Alexandre acompanhando o irmão na guitarra em todos os shows. Juntos, eles gravaram vários discos, e não foram poucos! Naquele tempo, fazer disco era coisa complicada, não havia tantos recursos e gravar, mixar e prensar um vinil era tarefa de gigante. Alexandre está nesse mercado desde garoto e traz uma bagagem invejável. Por tudo isso, foi o artista escolhido para abrir o Show do Ray Charles, quando ele se apresentou no Brasil.

 

JORNAL VOZ ATIVA – Sobre o Ouro Preto Blues, por que vocês escolheram a Praça de Lazer do Bairro Cabeças para abrigar o evento?

VICTOR – Por várias razões, primeiramente, é um lugar inexplorado, tem até ouro-pretano que nem conhece. Até hoje, só vi a praça ser usada em festa junina e comício político. Tem uma vista linda para igrejas e o pico do Itacolomi. Tem um teatro de arena aconchegante, muito charmoso, e uma área plana, ideal para a montagem da nossa praça de alimentação. A pracinha estava abandonada, e foi recentemente resgatada pela nova Prefeitura, uma iniciativa muito bacana do secretário de Cultura e Patrimônio Zaqueu Astoni. Moro ali pertinho e pude acompanhar de perto os trabalhos dos jardineiros que revelaram o espaço. Além disso, é um dos poucos lugares de Ouro Preto que pode abrigar um evento cultural sem criar transtornos no trânsito. Nenhuma rua precisa ser interrompida e os ônibus e outros carros podem manter seus trajetos normais. O evento acontece sem interferir na rotina da população, diferente de tantos outros no Centro Histórico. A praça das Cabeças é um lugar ideal para um evento intimista, sem muita parafernália e com um tipo de som que respeita a vizinhança, que não atordoa os ouvidos dos moradores do lugar. Isso é importante.

 

JORNAL VOZ ATIVA – E o que o público pode esperar dessa primeira edição do Ouro Preto Blues?

VICTOR – Vamos criar vários ambientes, vai ter lugar pra quem quer ouvir música, dançar, comer e conversar. O pessoal do Food Park Itinerante é o mais experiente e requintado de Belo Horizonte, e chega em Ouro Preto trazendo um cardápio variadíssimo.  Teremos a Vinhotti Adega Itinerante, do Rodrigo, parceiro na idealização do Ouro Preto Blues; Go Pasta, com massas artesanais; Crepioca, crepes e tapioca; Pretty Good, de poutine, que é um prato típico canadense; o Cadê Meu Brigadeiro, com mil doces finos; a Magali Saudável, de sucos naturais; e a Queijenharia, um espetáculo de queijos artesanais. Teremos ainda uma surpresíssima no chopp e nas cervejas. Essa, eu ainda eu não posso revelar…

 

JORNAL VOZ ATIVA – E por que Blues e food truks?

VICTOR – O blues nasceu do canto dos escravos nas plantações do século 19, no sul dos Estados Unidos. É um estilo cheio de sentimentos que vão de encontro com os mesmos sentimentos que paira sobre a nossa origem, sobre a origem e a grandeza dos monumentos desse nosso centro histórico. Faltava em nossa agenda algum acontecimento em honra ao gênero. A ideia foi bem recebida pelo secretário Zaqueu Astoni, que percebeu o potencial do evento e vestiu a camisa.  Tudo está sendo feito em parceria com a Prefeitura de Ouro Preto. E os próprios truks estão nos ajudando nessa primeira edição, uma solução alternativa em tempos de crise, que só engrandece o evento.  Ah, claro, contamos com o apoio do nosso Jornal Voz Ativa, que sempre se faz presente em tudo que é importante aqui. Hoje, temos a certeza de que o Ouro Preto Blues veio pra ficar, e vai agradar não apenas os turistas, mas principalmente, o público da nossa cidade.

 

Serviço:

OURO PRETO BLUES

Data: 17 de junho, sábado (durante o feriado prolongado de Corpus Christi)

Local: Praça de Lazer do Bairro Cabeças, entre as ruas Alvarenga e Prof. Honório Esteves

Horário: das 14 às 22 horas

Programação: Apresentação de Alexandre Araújo Blues/ Praça de alimentação com Food truks especializados em vinhos, espumantes, cervejas especiais, sucos naturais, queijos artesanais, massas, crepes e tapioca, poutine, doces e outros.


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