‘Maria de Maria’, por William H. Stutz

06/11/2017 às 12:30 por Atualizado dia 06/11/2017 às 12:30

William H. Stutz é veterinário e Escritor

Antes de mais nada grito aos ventos: não sou crítico de arte, não entendo de arte, não sou arte. Faço arte no sentido lúdico e infantil da palavra. Lanço-me em aventuras, algumas inconsequentes, sem trema ou trama, mas sempre inofensivas.

Sou espectador que põe atenção. Se me agrada gosto, se não me agrada me aquieto.

“Amou daquela vez como se fosse a última”.

 Tive o lampejo de ir ao teatro em uma quente quinta-feira, na qual a maioria gostaria de estar em um bar ou à beira de piscina ou, quem sabe, caminhando no parque. A peça, uma produção independente da até então para mim desconhecida Maria De Maria, cativou logo nos primeiros instantes.

“Beijou sua mulher como se fosse a última”

Bom, posso dizer que os longos primeiros minutos de silêncio e breu poderiam ter sido mais curtos. Criou um certo incomodo, proposital talvez.

O denso texto  de Claudia Eid Asbun inspira. Impressionante a coragem de produzir  e encenar Mulher de  Juan.

Em árido cenário de obra, Maria De Maria se move com leveza bruta,  contracena com o maravilhoso e fantasticamente harmônico e pontualíssimo violoncelo de  Laura Millya.

“E cada filho seu como se fosse o único”

“O tempo não para/ Disparo contra o sol/

Sou forte, sou por acaso”, cantou Cazuza.

A platéia em silêncio absoluto. Se bem que, quando chegamos no esperar do escuro, duas tagarelas palreavam ao som de saquinhos de o que me parecia batatas chips. Mudamos de lugar e a paz voltou a reinar.

A direção de Adriana Capparelli é sóbria e libertadora para a atriz (acho eu, foi para mim é certo).

Se era crítica que o personagem buscava, eis a de um simples espectador, que em muito se viu no espetáculo.

Vi-me em suas falas e coreografias. Fui mulher, fui celo, fui Juan, fui você. Como é bom em plena quinta quente ser parte de uma peça tão envolvente. Mil vezes recomendo. Quem viu viajou, quem não viu não perca a próxima apresentação. Quando a peça chegar a Ouro Preto, peço: não perca.

Só me resta dizer Bravo! Bravíssimo Maria de Maria! Espero te ver sempre em palco. Usando modernos tempos: curti e te sigo.

“E flutuou no ar como se fosse um pássaro”

(*) Intervenções grifadas da obra “Construção” de Chico Buarque não são meras coincidências

 


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