Leia “Não é brincadeira”, a nova crônica de Valdete Braga para o Jornal Voz Ativa

25/06/2018 às 10:10 por Atualizado dia 25/06/2018 às 10:11

Durante a semana passada foi muito comentado um vídeo que viralizou na internet sobre um grupo de brasileiros gritando e cantando palavras de baixo calão em volta de uma moça russa, durante as festividades da Copa do Mundo.

A moça, evidentemente sem saber do que se tratava, pensou que fosse uma “comemoração”, e entrou no que pensou ser uma brincadeira inocente.

Fazer uma coisa dessas é um absurdo, gravar e jogar na internet um absurdo maior ainda e achar que isto é uma “brincadeira” não tem definição. Mais inacreditável ainda é que ainda existam pessoas (minoria, é verdade) que não vêem nada demais na atitude dos “rapazes”, que na verdade já deixaram de ser “rapazes” há um bom tempo. Homens feitos, um advogado, outro engenheiro, outro militar…. enfim, sabiam muito bem o que estavam fazendo.

O mais triste é ver entre os comentários frases como “eles pensaram que estavam no Brasil”, como se aqui fosse normal. Isso não é normal em lugar nenhum. Claro que existem os exagerados de plantão, cheguei a ler em um site gente pedindo pena de morte e prisão perpétua, não consegui detectar se ironizando o que não justifica ironia ou se falavam sério. Aí também é claro que não, mas que deve e a maioria espera que haja uma punição, é óbvio que deve haver. E, descontado o exagero, que seja uma punição exemplar.

Li em um site sério e idôneo um comentário muito pertinente. A pessoa faz uma comparação entre a “brincadeira” dos “rapazes” e as letras dos funks brasileiros que eles devem cantar e dançar aqui. O interessante e também muito pertinente é que o comentarista deixa claro que não está criminalizando o funk, que existe o funk diversão, com músicas e letras feitas para o divertimento e alguns até com fundo educativo. Ele explica muito bem explicado que se referia a um tipo determinado, não generalizando. Fala destas supostas “músicas” que de música não têm nada, com apologia a drogas, estupros, algumas até assassinatos.

Infelizmente existem e infelizmente vendem. Crianças cantam e os pais não estão nem aí, alguns até incentivam. Aí as crianças crescem, vão para um país estranho acompanhar a copa do mundo, e lá recriam a “cultura”, envolvendo uma garota que não tem nada com isto. E acham tão normal que reproduzem, filmam sua própria ignorância (para não dizer crime) e jogam na internet. A “brincadeira” viraliza e deu no que deu. Isso não é brincadeira e não pode acontecer. Nem no Brasil, nem na Rússia, nem em lugar nenhum.

Homens adultos, teoricamente (eu disse teoricamente) cultos, em nome de uma “brincadeira” de mau gosto, que de brincadeira não tem nada, envergonham um país inteiro. Coitados. Estudados, classe média, mas sem o mínimo de consciência do que seja respeito.


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