Leia “Abriu-se o Portal do Olimpo”, na Coluna de Valdete Braga

14/05/2018 às 16:04 por Atualizado dia 14/05/2018 às 16:04

Ano eleitoral é um ano atípico. Parece que se abre um portal no Olimpo e os deuses descem à Terra e se encarnam em uns e outros por aqui. O que aparece de salvadores da Pátria não é brincadeira. Junto com eles os deuses trazem seus querubins, que por sua vez encarnam os cabos eleitorais, que saem fazendo propaganda das inúmeras qualidades dos seus deuses-patrões.

Ah, meu Deus! (Este com letra maiúscula). Seria cômico se não fosse trágico. A frase da vez é “não reeleja ninguém”. Essa frase pegou e está na moda. A frase, não sei se a idéia. Eu, particularmente, acho que é preciso um estudo mais sério. É fato que há muito pilantra por aí, pelo Congresso, pelo Parlamento, pela Presidência, enfim, em todo âmbito político, que não deveria ter sido nem eleito, quanto mais reeleito. Por outro lado, “ninguém” é radical demais. Para ter convicção de não eleger ninguém, é preciso conhecer todos, o que não é o meu caso. Será que entre tantos que realmente não merecem, não existe nenhum, unzinho que seja, que tenha sido um bom deputado, senador, governador (presidente nem me arrisco). Talvez sim, talvez não. Não sei. Para saber, é preciso conhecer.

Já sei, com certeza, em quem não votar. Em quem votar, ou se vou votar, é cedo ainda para dizer. Temos de ficar atentos aos que não devemos reeleger, mas igualmente atentos aos deuses do Olimpo que já começam a chegar pela primeira vez, devagarzinho, escolhendo onde encarnar. Ninguém vota em quem não acredita. Quando votamos, achamos que estamos acertando. A decepção vem depois, ao percebermos que fomos enganados. Por isso é preciso muita atenção e cuidado.

Elegendo? Reelegendo? Sinceramente, não sei. Não acredito em Papai Noel, mas acho sim, que o país está mudando. Acredito ainda na luz do fim do túnel. E depende de nós saber enxergá-la e ir até ela. No último capítulo da novela “O outro lado do Paraíso”, aconteceu uma cena tão sutil, que acredito, poucos perceberam, diante dos fatos mais importantes da trama. A personagem da atriz Fernanda Rodrigues, ao ser presa por seqüestro e outros crimes que eu não vi, durante a trama, entrou na cadeia gritando repetidamente as seguintes frases “isto está errado”, “eu sou da alta sociedade”, “eu não posso ser presa”. Ela repetiu estas mesmas frases diversas vezes até a grade se fechar. A arte imitando a vida? Uma forma sutil da ficção mostrar que a realidade está mudando? Tão sutil que ninguém percebeu?

No dia seguinte fiz questão de assistir aos comentários sobre o final da novela. Falou-se sobre o casamento da mocinha, a prisão da vilã (outra), o casal gay que se entendeu, mas este “pequeno” detalhe da socialite sendo presa ninguém comentou. Será que só eu entendi como uma forma de ficção mostrando a realidade? Tomara fosse.

Não apenas na política, mas vemos, mesmo ainda com tanta coisa precisando melhorar, que nem tudo está perdido. Gente que até pouco tempo atrás era inatingível, seja pela sua condição social, econômica ou política, começa a pagar por seus crimes, como cidadãos comuns. Antes tarde do que nunca. Que os políticos que cometeram crimes sejam presos. Que os que não cometeram crimes, mas não fizeram o seu papel pelo Bem comum, para o qual foram eleitos, não sejam reeleitos. Mas que nós, eleitores, antes de generalizarmos e colocarmos todos no mesmo balaio, procuremos conhecer a realidade.

Se todos merecerem o mesmo balaio, que fiquem lá e não saiam mais. Mas, mesmo não acreditando em Papai Noel, eu ainda acho que alguns devem escapar. Poucos que sejam. Isso não quer dizer que eu vá votar sem conhecer o candidato. Mas quer dizer que se aparecer um em quem eu acredite, vou primeiro analisar sua história, para depois pensar se ele já foi, é, ou será. Um deus do Olimpo chegando pela primeira vez ou um candidato que já tenha desempenhado bem o seu papel, é preciso estudar cada um. O país está mudando. Se para melhor ou pior, vai depender de nós. A luz está lá, no fim do túnel. Cabe a cada um pegar a sua lanterninha e mergulhar no túnel escuro, até chegar até ela.


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