“História e patrimônio na contemporaneidade: o que ainda podemos aprender com o passado?”, por Vitor Ferreira

16/04/2018 às 13:18 por Atualizado dia 16/04/2018 às 13:18

Vítor, sempre teve certo fascínio por eventos do passado, talvez por isso, seja graduando em História na UFOP. Durante a graduação, teve oportunidade de trabalhar com o imortal veículo radiofônico. Tendo aí, contato efetivo com o ofício do jornalista. Apesar de constante “flerte” com o jornalismo, ele mantém seu foco nas práticas de pesquisa historiográficas.

Ser historiador em tempos contemporâneos nunca pareceu tão difícil. Considerando aspectos, como: desvalorização salarial, social e também política. Porém, tais aspectos serão deixados em segundo plano nesta coluna. Eu me refiro à dificuldade do historiador em trabalhar  e sistematizar o “seu próprio tempo”.
Ora, leigos certamente afirmariam que é “mais fácil” refletir sobre o que se vive agora. Eu diria o contrário. Certa distância entre o “objeto do passado” e o observador, se torna necessária para uma melhor reflexão.      Mas como isto pode ser útil na “vida prática” em uma cidade como Mariana?

Bem, hoje temos cada vez mais uma sensação de fluidez na passagem do tempo; o tempo está cada vez mais curto, as mudanças estão cada vez mais rápidas; experimente ficar um dia inteiro sem se informar pelo seu aparelho virtual, e perceberá o quanto o mundo “corre mais rápido”. A distância psicológica entre as gerações aumenta cada vez mais. Um jovem de dez anos hoje, não brinca mais das mesmas coisas que a geração de 1990 brincava, por exemplo.

Tal sensação, de velocidade e fluidez pode causar, inicialmente, certo sentimento de desorientação. Afinal, nos apegar ao “passado” para a vida prática, não nos parece mais possível ou até mesmo fazer sentido.

Porém, em uma cidade histórica como Mariana, somos presenteados com certo prazer a mais. Considerando o vasto potencial material (me refiro às Igrejas, museus e conjuntos arquitetônicos no geral) vemos o “passado” presente em nosso “presente”. Ainda assim, não nos valemos do “seu potencial”. Portanto, retomamos à questão do título: o que podemos aprender com o passado?

De antemão, adianto que não existe uma única resposta para tal pergunta ou uma “fórmula matemática” para que o passado seja efetivo no presente. Os textos desta coluna têm como objetivo, não “cristalizar” tal penosa questão, mas sim, sugerir formas de ao mesmo tempo, valorizar a materialidade (e também a não-materialidade) da nossa querida Mariana e nos orientar de uma melhor forma no tempo presente.

Muitas vezes, não nos damos conta da rica materialidade em nossa volta. E o quanto podemos aprender! O seu “valor histórico” jamais se esvaziará.

Por exemplo, o notável pelourinho localizado na Praça Minas Gerais. A ideia de preconceito, violência e desigualdade ligado àquele monumento, é certeira. Porém, não sejamos tolos. Vemos que na maioria das vezes, a comoção que aquele material ativa em quem o visita, está sempre ligada a escravos, e às coisas do “passado”. Todavia, vemos que parte deste passado, não passou. Ainda acontecem coisas da “época do Brasil Colonial”.

Portanto, este é um pequeno exemplo de como podemos aprender com a riqueza da materialidade de Mariana.


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