“Fui visitar o Dr. Google”, por Hércules Tolêdo Corrêa

04/06/2018 às 16:08 por Atualizado dia 04/06/2018 às 16:08

Hércules Tolêdo Corrêa é professor da UFOP e apaixonado por literatura, cinema, música e mais um monte de coisas.

Há algumas semanas publiquei duas crônicas dizendo por que eu não consigo viver, hoje, sem o Google. Não que eu ache que ele vá resolver os problemas do mundo. Isso não. Mas acho que ele ajuda bem a resolver alguns problemas básicos que me aparecem. Provavelmente, os seus também, caros leitores.

Eu tenho um amigo, acho que posso considerá-lo assim, que trabalha para ninguém mais ninguém menos do que o Dr. Sabe-Tudo. Ele trabalha pro Dr. Google, diretamente. Ele ganha para isso. De alguma forma, todos nós trabalhamos pro Google, já que o abastecemos de informações, só não sobrevivemos do salário que ele nos paga. Mas eu estava falando da minha visita a uma das casas do Dr. Google. Esta fica na simpática cidade de Kitchener, que pertence à região da metrópole Toronto, em Ontário, Canadá. Ela fica no número 51 da Baupthaut Street. Talvez esta tenha sido uma boa ideia, embora o Google nada tenha a ver com a cachaça brasileira. Ou será que tem?

Eu já havia lido alhures que os escritórios do Google costumam ser muito diferentes do que os escritórios de outras corporações, mas uma coisa é ler e outra é ver com os próprios olhos. O lugar se parece com vários outros lugares que conhecemos, como cafeterias, bares, restaurantes, clubes de jogos, salões de festas, cinemas, salas de reuniões, salas de massagens, academias de ginásticas, estúdios de música e (pasmem!) até locais de trabalho. Sim, é que o escritório reúne todas essas coisas, juntas, mas não tão misturadas.

São uns cinco andares, nem me lembro direito. Uma parte do prédio é antiga, de tijolos. Outra é recém construída, com boa parte de vidros. Na decoração, a reunião do antigo e do moderno, do rústico e do sofisticado, do conhecido e do inusitado. Luzes de led por todo o lado. Muitas cores. Nas paredes, caricaturas de todos os seus quase 500 funcionários, de diferentes nacionalidades. Fotografias de autoria dos próprios funcionários, selecionadas por eles mesmos, por voto, para exposição galeria. Cafés e minicozinhas por todo lado, mais de uma por andar. Tem até uma marcenaria, para os funcionários desestressarem, fazendo trabalhos manuais. Sala de relaxamento e meditação. Sala de projeções e minicinema. Nos restaurantes e bares, do café da manhã ao jantar. Tudo gratuito para os funcionários, sem descontar nada no pagamento ao final do mês.

Uma pena a visita ter acontecido no domingo, porque vi tudo isso muito vazio. Um ou outro funcionário que encontramos pelo caminho, eu e o meu amigo Scott. Fosse durante a semana seria uma interessantíssima imersão antropológica, com funcionários de diferentes nacionalidades e etnias, biotipos, cortes & cores de cabelo… dos naturais ao exóticos cabelos azuis e vermelhos dos moderníssimos rapazes e moças, vestidos com roupas que transcendem aos gêneros binários tradicionais. Essa experiência vai ficar para a segunda visita, que espero acontecer em breve. Por aqui ou em outras plagas.

Foi das melhores visitas que já fiz em minha vida. Nice to meet you,  pessoalmente, Mr. Google!


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11 comentários

  1. Excelente texto.
    Uma forma claRA Ee leve de escrever. Também consulto muito o Dr. GOOGL
    Gosto muito dos textos do Hércules.

    • Obrigado pelo comentário, caríssimo Itamar. Espero continuar correspondendo às expectativas!

  2. Nossa! Vontade de trabalhar nesse lugar! Deve ser um máximo. E o senhor google é o senhor google….sempre nos auxilia. Muito bom o texto.

  3. Que bacana. Realmente deve ser uma experiência única visitar o patrão ao qual não recebemos um centavinho sequer! Coisas de Google!

  4. Ótima crônica, pude “ver” pelo seus olhos. O Google é realmente um dos Deuses de hoje 😊

  5. Empresas como a Google tem mostrado o quão menos formal o ambiente de trabalho tem de ser. Eles possuem profissionais excepcionais q não tem seu trabalho afetado por aparências e estilos de vida. Pessoas q poderiam ser rejeitadas em outro lugar estão mostrando sua genialidade num ambiente atrativo e q estimula tanto a produção.

    • Respondo aqui, representada pela queridíssima leitora e amiga Tetete, a todos os que comentaram! Obrigado. Aqueles que não comentaram, mas leram, também meu muito obrigado! Não precisa ter gostado do texto, só de ter leitores, fico feliz! Abraço amigo, já voltando para a Terra brasilis! 🙂

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