Febre amarela: Prefeitura de Mariana-MG esclarece situação no município

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, 96% da população está imunizada. Cerca de 50 profissionais de saúde estão envolvidos em ação que está percorrendo os locais mapeados de Mariana.

12/01/2018 às 12:27 por Atualizado dia 12/01/2018 às 13:04

Foto-Coletiva de Imprensa sobre febre amarela em Mariana-MG. 
Crédito-João Paulo Teluca Silva

Os macacos não são capazes de infectar o ser humano com a doença

O prefeito de Mariana (MG), Duarte Júnior, concedeu entrevista à imprensa local na manhã desta sexta-feira (12). A coletiva aconteceu às 10h no Centro de Convenções e trouxe esclarecimentos sobre a Febre Amarela, informações a respeito dos óbitos registrados na cidade, o encontro de macacos mortos no município, além de reforçar medidas que já vem sendo praticadas na rede pública contra a doença. O encontro contou também com a presença do vice-prefeito, Newton Godoy, do secretário Municipal de Saúde, Danilo Brito e da coordenadora da Central de Imunização, Polyanna Marques.

Duarte Júnior afirmou que à maneira dos outros municípios do estado, em alerta contra a Febre Amarela, a Secretaria de Saúde de Mariana (MG) tem intensificado as ações de força-tarefa nas localidades rurais pertencentes ao município. O prefeito ressaltou ainda que informações equivocadas a respeito da doença podem causar transtornos no momento em que Mariana está se recuperando da crise financeira, oriunda do rompimento da Barragem de Fundão em 5 de novembro de 2015. “Por esse motivo é preciso que seja amplamente divulgado o trabalho realizado pela Secretaria da Saúde”.

O governo de Minas Gerais confirmou, na quinta-feira (11), que desde o ano passado, 11 pessoas tiveram diagnóstico positivo para a doença no estado, das quais 9 morreram. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES), os últimos três óbitos confirmados se referem a pacientes de Nova Lima e de Mariana. O prefeito de Mariana informou que as duas vítimas da cidade moravam na zona rural e tinham mais de 60 anos.

A secretaria Municipal de Saúde de Mariana esclareceu que não há nenhuma vítima fatal da doença confirmada no meio urbano, até o momento, mas que segue em constante vigilância e aguarda pareceres técnicos da Fundação Ezequiel Dias (FUNED).

Duarte Júnior esclareceu que um trabalho de campo com equipe capacitada tem visitado toda a região de Mariana desde os primeiros indícios da doença, quando foram encontrados dois primatas mortos no município. “Nós percebemos que grande parte da população ainda não vacinada é idosa”.

O secretário Municipal de Saúde, Danilo Brito, revelou que cerca de 50 profissionais de saúde estão envolvidos na ação que está percorrendo os locais mapeados de Mariana: Cachoeira do Brumado, Barro Branco, Barroca, Magalhães, Engenho Queimado, Monsenhor Horta, Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Furquim, Águas Claras e Cláudio Manoel.

Já a coordenadora da Central de Imunização, Polyanna Marques informou que, entre as medidas tomadas pelo governo municipal, estão o acompanhamento contínuo dos locais mapeados com a imunização domiciliar, além da distribuição de folders explicativos sobre a doença para toda a população.

“O poder público municipal tem agido fortemente no combate à febre amarela que, infelizmente, nos atingiu com dois óbitos. Trata-se de um problema muito sério e espero que os demais municípios da região também intensifiquem as suas vacinações”, finalizou Duarte.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, 96% de sua população está vacinada. Ainda de acordo com a secretaria, em 2017, foi promovida uma ampla campanha de vacinação contra a doença, com mais de 20 mil pessoas vacinadas.

Prevenção

A vacina contra a Febre Amarela está disponível na Rede Pública e o efeito protetor ocorre a partir do 10º dia da imunização. É o recurso mais eficaz para evitar a doença e está no calendário de vacinação. É indicada a partir dos 09 meses de idade até os 59 anos. O Ministério da Saúde adotou a orientação de dose única desde 2017.

Saiba mais

Vale ressaltar que, embora não transmitam diretamente o vírus, primatas vêm sendo mortos por pessoas que temem contrair a febre amarela. O primatólogo Fabiano Melo, pesquisador responsável pelo Programa de Conservação Muriquis de Minas, que recebe apoio da Fundação Grupo Boticário, afirma que “as espécies de macacos nativas do Brasil, por não terem tido um contato histórico evolutivo com o vírus, tendem a ter baixa resistência ao seu contato”. Ou seja, primatas são tão vítimas da doença quanto humanos. Em outras palavras, os macacos não são capazes de infectar o ser humano com a doença. Os primatas se comportam como sentinelas, sinalizando a presença do vírus, quando um primata aparece doente, há indícios de que os seres humanos, também estão expostos.


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