“Dificuldade”, por Valdete Braga

19/04/2017 às 13:59 por Atualizado dia 19/04/2017 às 14:13

Após muito tempo, sinto dificuldade em escrever. Pela primeira vez em um tempo que nem me lembro mais, encontro dificuldades com as palavras e o motivo é bem simples. Por um lado, gosto de passar mensagens positivas, quando escrevo mentalizo sempre o otimismo, o bom humor, a alegria da vida. É disto que gosto e do que sei falar. Por outro, eu só consigo escrever o que sinto. Cada palavra vem do meu coração, uns dias mais leve, outros com alguma dificuldade que faz parte da vida e que nem por isso a torna menos bela, mas sempre escrevo o que está dentro da minha alma.

Por isto a minha dificuldade hoje. Como está difícil ser otimista e sorrir para a vida! Que semana pesada, meu Deus! Que mundo louco, quanta tragédia, quanta tristeza, quantas famílias chorando de dor, longe e perto de nós! Quero muito passar uma mensagem de otimismo, mas meu coração sangra por estes seres infelizes que cometem tanta atrocidade pela vida a fora. Em Ouro Preto, no Brasil, no mundo…

Antes quando acontecia alguma tragédia, principalmente as provocadas pelas mãos dos homens, era uma comoção só, e normalmente acontecia longe, em outra cidade, a maioria das vezes em outros estados. A vida aqui era tão tranquila! Hoje as pessoas comentam “mataram um”, como se falassem que vai chover ou fazer sol. Virou lugar comum. Nem nos assustamos mais. Mães perdem filhos, filhos perdem pais, e a gente simplesmente escuta “mataram um”, como se esse “um” fosse uma formiga em que alguém pisou.

Seres humanos são assaltados, assassinados, todos os dias. Mata-se por um celular ou um par de tênis. Mata-se em brigas por motivos banais. A vida virou uma coisa banal, e eu não quero escrever sobre isto porque eu não quero sentir isto. Daí a dificuldade. Eu quero, eu preciso reencontrar aquela alegria sem medo, aquele prazer de viver que tira do meu coração mensagens de otimismo e esperança. Todos nós precisamos. O mundo precisa.

Precisamos nos assustar, nos indignar e voltarmos a sofrer quando “matam um”. Não importa se conhecemos ou não a vítima, se foi no meu bairro, no seu, ou em outro estado. Não importa se foi fora do país. Uma vida perdida é uma vida perdida e um ser humano tirar a vida de outro é motivo para ficarmos assustados, preocupados e tristes. Jamais encararmos com naturalidade e isto já está começando a acontecer. O dia em que acharmos assassinato uma coisa natural, podemos voltar para as cavernas.

Confesso que quando ouvi “mataram um”, meu coração se encheu de dor. Por quem matou, por quem morreu e por quem falou. Pela banalização e naturalidade.

Ah, meus amigos, mas isto é hoje. Vai passar e eu vou voltar aos temas positivos. Amanhã é um novo dia e ainda existe luz no fim do túnel. Ainda existem pessoas que se assustam, que não banalizam, e é nestas pessoas e suas atitudes que vale a pena focar. Insisto que existe muita gente boa no mundo. Gente boa faz coisas boas. Coisas boas torna a vida boa. E assim vamos seguindo, trazendo de volta para o coração os sentimentos bons que levarão embora esta dificuldade momentânea. E voltarei a escrever inspirada nestas pessoas que existem e logo aparecerão. Em Ouro Preto, no Brasil e no mundo.


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