“Carta na manga”, com Samuel Senra

29/04/2017 às 10:51 por Atualizado dia 29/04/2017 às 10:51

Samuel Senra é Graduando em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto

O Galo tem volume de jogo, posse de bola, posicionamento dentro de campo. Cria bastante, chuta ao gol, impõe ritmo. Mas mesmo sendo visível a evolução tática e física da equipe, ando meio preocupado.

Sim, eu sinto falta de um algo a mais, que ainda não sei bem o que é. Sinto falta de uma carta na manga para quando o jogo estiver truncado, fechado. Estatísticas podem ser ilusões.

Sinto falta das jogadas individuais do Luan, que volte logo da contusão na coxa direita porque esse faz falta, como faz falta também os passes rebuscados de Cazares, que ameaça retomar o futebol de alto nível, mas ainda assim muito aquém do que pode nos proporcionar.

Sinto falta de jogadas individuais para dentro da grande área, e menos toques de bola em meio ao marasmo. Sinto falta dos chutes certeiros de longa distância do Rafael Carioca, e menos das bolas que ele tem isolado nesses últimos jogos. Sinto falta do Leão Donizete demarcando com unhas e dentes o meio de campo.

Sinto falta daquela tão famosa “bagunça organizada” de 2013 e 14, de quando o nosso time era imprevisível para o adversário, do quanto era respeitado, não somente pelo nome e pelos jogadores, mas pelo futebol solto que dava gosto de ver.

O galo tem um plantel tão bom quanto o dos últimos anos. Otero tem correspondido às minhas expectativas e Rafael Moura me surpreendeu. Elias se encaixou perfeitamente no meio de campo. Fred, no ataque, nem se fala, esse é o que mais dá gosto de ver, surpreende a cada partida com gols, passes e vontade.

Marlone é mais um reforço de peso que pode dar certo e valer a troca por empréstimo com o Corinthians pelo atacante Clayton. Robinho devagar vai se firmando como a cara do meio de campo do Galo.

São Victor, esse nunca me decepcionou. Voltou de contusão em grande performance na vitória de quarta contra o Libertad. Vitória que vingou a derrota de semana passada por 1×0 debaixo de chuva num lamaçal no estádio paraguaio.

Ando preocupado porque lá no mata-mata da Libertadores, a chuva, o campo ruim e até mesmo a “altitude” não servirão de álibi para qualquer eventual resultado controverso. Precisamos estar preparados para qualquer tipo de cenário, de adversidades.

É por isso que, além de ter um plantel bem preparado fisicamente e afinado dentro de campo, eu sinto falta do coringa na manga, o que foge de qualquer padrão tático, técnico, previsível. O futebol bonito de se ver, surpreendente e mágico, que leva para além do óbvio quando precisamos.

Domingo, às 16h, pegaremos o Cruzeiro na final do Mineiro. Mas desta vez, sem sofrer gol em posição duvidosa de impedimento e nem jogar com um a menos, como foi no último clássico com a expulsão do nosso Atleticano de coração Fred. É final e eu confio que vai ser diferente. Vamos meu Galo, que o ano só está começando.

 


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