Bartira Fortes retorna a Ouro Preto para lançar seu CD IDentidades produzido na Suécia

O CD conta com a participação de um dos maiores baixistas brasileiros, Rubem Farias, do premiado melhor baterista e músico do ano pelo maior prêmio de jazz da Suécia, o turco-sueco Robert Ikiz, do saxofonista e flautista sueco Kristian Brink, e tem direção musical do multi-instrumentista brasileiro Allan Christie.

23/06/2017 às 12:05 por Atualizado dia 23/06/2017 às 13:26

Foto-Divulgação/Bartira Fortes

Depois de sete anos no exterior, Bartira Fortes retorna a Ouro Preto para lançar seu álbum IDentidades, resultado de sua pesquisa de mestrado sobre Ativismo Sonoro realizada na Universidade de Estocolmo, Suécia. O CD foi produzido no estúdio do Benny Andersson do famoso grupo sueco ABBA e será lançado pela Gravadora Galeão, antiga Velas, fundada por Ivan Lins e Vitor Martins, que marcou a história da discografia nacional com discos de Elis Regina, Guinga, Edu Lobo, Zizi Possi, Lenine, entre tantos outros ícones.

O CD conta com a participação de um dos maiores baixistas brasileiros, Rubem Farias, do premiado melhor baterista e músico do ano pelo maior prêmio de jazz da Suécia, o turco-sueco Robert Ikiz, do saxofonista e flautista sueco Kristian Brink, e tem direção musical do multi-instrumentista brasileiro Allan Christie. Dia 14 de julho o CD estará disponível em todas as plataformas digitais. Mas para quem já quiser sentir um gostinho do que está por vir, pode assistir ao videoclipe do single “Minha carne”  que foi lançado no dia 9 de junho, onde Bartira Fortes se apresenta com o corpo totalmente pintado com correntes que representam as opressões que as mulheres são sujeitas diariamente. O show de lançamento ocorrerá durante o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana no dia 21 de julho na Casa da Ópera. Para além da música, o show promete performance, poesia, ativismo e uma celebração da pluralidade humana.

Cantora, compositora, atriz, diretora de teatro e jornalista, Bartira Fortes é uma artista multifacetada. Mudou-se para a Suécia em 2009 onde foi reconhecida, em sua apresentação no Brazilian Day em Estocolmo, como “a nova estrela da música brasileira” por Åsa Veghed – crítica de música e etnomusicóloga sueca. Desde então tem se apresentado em diversos festivais e clubes de jazz. Na Suécia, Bartira também ingressou no Mestrado em Ciências Estéticas com especialização em Estudos da Performance pela Universidade de Estocolmo, onde desenvolveu uma pesquisa sobre música e ativismo que deu origem ao seu projeto “Ativismo Sonoro”, que visa trazer à tona importantes questões e tabus sociais através da música. A repercussão positiva do projeto, que estreiou no Stockholm Jazz Festival 2015, levou a artista a receber o prêmio UGTv 2015 de arte, música e compromisso social por seu trabalho realizado na Suécia.

Sua carreira artística iniciou aos 8 anos nas ladeiras de Ouro Preto, onde passava horas pincelando a beleza arquitetônica da cidade. Das artes plásticas embarcou na dança, mas diante do silêncio dos pincéis e do movimento, Bartira descobriu no canto e no teatro um caminho para dar voz às suas inquietações artísticas. Aos 14 anos, ingressou no Curso Técnico de Atuação da Universidade Federal de Ouro Preto e, em seguida, iniciou o bacharelado em Artes Cênicas com habilitação em Direção Teatral, onde desenvolveu sua pesquisa sobre a intersecção entre voz e movimento na criação artística de cunho político, que ela denominou “corpo sonoro engajado”. Essa pesquisa deu origem ao seu primeiro espetáculo de teatro “Guantánamo: história de homens e bichos” que estreiou na antiga FEBEM de Ouro Preto e foi sucesso de crítica nos festivais que participou representando a UFOP. Essa experiência proporcionou-lhe uma ligação entre suas paixões: o teatro e a música, a dança e o canto, a arte e o ativismo.

Das ladeiras de Ouro Preto para os arquipélagos de Estocolmo, Bartira teve oportunidade de se relacionar com diferentes estilos e culturas para, então, se consolidar como uma “cantorativista”. É nesse contexto, concomitante com seus estudos no mestrado, que surge o álbum IDentidades. O CD nasce em meio à crise política brasileira, quando identidades marginalizadas se tornam alvo de narrativas cada vez mais racistas, materializadas em discursos de ódio. Assim, Bartira contesta, através da música, o quadro de crescente intolerância e estigmatização da diversidade no Brasil.

As letras envolvem questões acerca da discriminação social, racial e de gênero, sexismo, violência urbana, xenofobia, fascismo, entre outros. Essas reflexões se fazem urgentes no Brasil atual, diante da crescente polarização política em contexto de crise e, como consequência, da intolerância desenfreada oriunda da dificuldade em lidar com as diferenças. Neste caminho de volta, de Estocolmo para Ouro Preto, Bartira traz sua voz (re)construída como uma necessidade de resistir aos discursos de ódio que ecoam nas telas e nas ruas, como um compromisso sócio-musical na busca por um país mais igualitário, tolerante e plural.

Além do show, Bartira também irá ministrar a oficina “Ativismo Sonoro: criação musical em tempos de crise política” no Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana nos dias 12, 13 e 14 de julho.A oficina visa oferecer um espaço para uma reflexão sobre a relação entre música e ativismo durante a crise política brasileira, além de dar ferramentas para cada participante realizar uma criação musical a partir de um tema político-social-ativista de interesse. A oficina está relacionada ao show de lançamento do CD e uma música inédita composta durante a oficina será escolhida para ser apresentada no palco da Casa da Ópera. Bartira afirma que não haveria melhor lugar para lançar o seu CD, pois além de ser o teatro mais antigo das Américasem funcionamento carregado de história e revolução, este foi também o palco onde as primeiras mulheres se apresentaram no Brasil.

MARCIA TIBURI, filósofa brasileira, escreve sobre o álbum

“Primeiro Bartira Fortes nos atravessa com seu nome de índia. Logo, sua voz nos separa de nós mesmos. Depois, seu ritmo volta a nos por inteiros. Sua música meio antropofágica, meio urbana, bate janelas e portas no campo fechado dos sons administrados onde morre nossa audição. Não é sem violência que a ouvimos. Não é para docilizar nossa escuta que ela canta. No estado da linguagem viva que é a arte, os sons de Bartira Fortes são um modo de buscar o mundo. O caminho apontado por sua música carregada de revoltas contra marcas exteriores, contra o que se diz por dizer, contra ismos, contra regras, pré-noções, medidas é um caminho cheio de abismos. É preciso prestar atenção nas letras, nos ritmos, nas melodias de Bartira, para apreciar a escuridão, para suportar a vertigem. Um Brasil nada endógeno, um Brasil além dele mesmo, está ali, em cada timbre, em cada batida, em cada melodia, na forma de um limiar. Sem agradar, sem entreter, a música de Bartira é maior, ela vem nos alegrar, como uma potência, a promessa de que podemos ouvir mais.”

Assista ao videoclipe de Minha Carne, de Bartira Fortes

Para maiores informações acesse o site da artista: www.bartirafortes.com


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