Alerta! Fogos em honra a Nossa Senhora Aparecida causam incêndio em vegetação na cidade Ouro Preto-MG

11/10/2017 às 14:27 por Atualizado dia 11/10/2017 às 14:36

Fotos-Bombeiros Militares acionados para combater incêndio
Crédito-Sidnéa Santos

Apesar de estar claro que a Igreja Católica, proíbe o uso de fogos de artifício em comemorações religiosas, de acordo com circular, emitida por Dom Geraldo Lyrio Rocha, em 10 de abril de 2012, onde o mesmo relembra ponderações do saudoso Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, em carta aos presbíteros, na data de 10 de setembro de 2004, ainda há fiéis que se mantêm nas antigas e perigosas tradições.
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Na tarde de 11/10/2017, por volta de 13h 20min, véspera das comemorações em honra a Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, após ouvir o estampido da queima de fogos, a população presenciou o perigo que os mesmos trazem para as comunidade.

 

A vegetação no entorno do Museu dos Inconfidentes, no Bairro Vila Aparecida, incendiou, trazendo riscos para o próprio Museu e residências vizinhas.

Bombeiros Militares foram acionados e debelaram o fogo.

Leia aqui, na íntegra, a Circular de 2012 que proíbe o uso de fogos em festejos religiosos:

Mariana, 10 de abril de 2012

Circular: GA 01.12
Assunto: Queima de fogos de artifício

Ao Revmo. Clero,
Aos Conselhos Pastorais das Comunidades e Paróquias,

Saudação, paz e bênçãos no Senhor.

Em data de 10 de setembro de 2004, o saudoso Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida
dirigiu carta aos presbíteros e às comunidades paroquiais a respeito do uso de fogos de
artifício nas festas religiosas.
Recordo suas sábias ponderações: Para a queima de fogos, “não basta criar mecanismos para
prover uma maior responsabilidade e segurança. Para além de todos os riscos, é também
necessário refletir que, diante de tantas necessidades materiais e sociais de nossas
comunidades e famílias, diante de tanta fome e exclusão social, como ‘queimar’ tanto
dinheiro destinando aos fogos, ao invés de priorizar a vida e as necessidades de nossos irmãos
e irmãs mais pobres? Nossa consciência, face à realidade social conflitante, nos interpela a
gestos mais concretos de fraternidade. Esses espetáculos que encantam e atraem a atenção de
tantos e são de grande tradição em muitos de nossos municípios e comunidades paroquiais,
sobretudo na celebração de seus padroeiros, podem causar verdadeiras tragédias, como morte,
queimaduras graves, mutilação e danos à natureza”.
Reafirmo as determinações de Dom Luciano e, depois de ouvir o Conselho Presbiteral de
nossa Arquidiocese, em sua reunião ordinária, no dia 04 de março de 2012, acrescento novas
orientações que buscam atender ao contexto em que hoje nos encontramos, em relação à
matéria em questão:

1. As Paróquias da Arquidiocese de Mariana estão proibidas de realizar, sob sua
responsabilidade, queima de fogos e espetáculos pirotécnicos.

2. As Paróquias não devem permitir a utilização do adro das igrejas ou outros espaços e
imóveis paroquiais para aí se realizar queima de fogos.

3. Onde for necessário, recomendo que nos programas e convites de festas religiosas conste
que a Paróquia não autoriza nem aprova a queima de fogos ou a realização de espetáculos
pirotécnicos, e por isso se exime de qualquer responsabilidade pelos atos de iniciativa
particular ou de órgãos públicos.

4. O Pároco deve enviar ofício, com protocolo, ao Corpo de Bombeiros, à Polícia Militar e
ao Ministério Público locais, informando expressamente que a Paróquia não promove e
não autoriza a utilização de fogos de artifício e que, se houver este tipo de manifestação,
toda responsabilidade recai sobre aqueles que a promoverem ou patrocinarem. O
Departamento Jurídico da Arquidiocese de Mariana poderá oferecer minuta para tal
correspondência.

5. Onde se fizer necessário, estas orientações devem ser encaminhadas às Irmandades,
Confrarias, Ordens Terceiras, Associações Religiosas, Comissões de Festas ou outras
entidades eclesiásticas, sob forma de protocolo ou contra recibo em cópia assinada pelo
responsável pela entidade, devendo ficar tudo resguardado no arquivo paroquial.

Se outras instituições ou pessoas promoverem tais atividades, em festas religiosas,
solicitamos que apresentem um termo de isenção de responsabilidade da Paróquia e da
Arquidiocese de Mariana, acompanhado de toda a documentação pertinente.

Aos que, por sua iniciativa e própria responsabilidade, promoverem queima de fogos ou
espetáculos pirotécnicos, em festas religiosas, recomendamos que tenham o cuidado
fundamental de contratar uma empresa idônea, devidamente registrada e possua profissional
treinado e com carteira de blaster (especialista em queima de fogos) para cuidar dos
preparativos e acionar os fogos. Nesse caso, exija-se que a empresa contratada tome todas as
providências legais necessárias, entre elas:
Pedido de autorização ao órgão policial competente para promover a queima de
fogos.

 Escolha do local mais adequado para posicionar os fogos e fazer o isolamento
exigido para que não haja risco de os fogos atingirem pessoas, casas, matas, rede
elétrica e outros.

 Depois que os fogos já tiverem sido posicionados e o isolamento feito, a empresa
contratada deve solicitar uma vistoria do Corpo de Bombeiros. Caso o município
não possua Corpo de Bombeiros, deve recorrer à unidade do município mais
próximo para obter a referida vistoria, a fim de que seja verificado se todas as
medidas de segurança foram adotadas.

Alertamos, ainda, aos promotores dos eventos de iniciativa particular que, qualquer
autorização ou alvará para essa atividade de risco, como é o caso da queima de fogos, assim
como a escolha e aprovação do local adequado para tal, deve ser proveniente única e
exclusivamente dos órgãos públicos com competência técnica de aprovação e fiscalização,
bem como das autoridades civis responsáveis pela segurança pública. Contudo, em hipótese
alguma, tal autorização receberá o aval das Paróquias ou da Arquidiocese de Mariana.
Na certeza de que estas orientações serão observadas em cada comunidade de nossas
Paróquias, sobre todos invoco as bênçãos de Deus, por intercessão de Nossa Senhora da
Assunção e São José, Padroeiros da Arquidiocese de Mariana.

 

+ Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo Metropolitano


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